


Queria te escrever alguma coisa, amor. Uma carta, um bilhete, qualquer papel com meus garranchos. Escrever alguma coisa pra tirar essas mágoas que tequila nenhuma tirou de dentro de mim. Escrever, porque de tanto que caíram-se as lágrimas, não consigo mais chorar. Gente que nem eu não nasceu pra amar, sabe? Tudo comigo é sempre demais, amor. Isso é perigoso e dá um medo, tanto medo desses sentimentos e dessa saudade que não dá pra controlar. E então as palavras me fogem assustadas, me abandonando com a caneta e papel na mão. A folha continua em branco, e eu com você no coração. (Letters to Billie)

Desde que você se foi, meus dias queimam como cigarros. Jogados fora todos iguais, inutilmente. A mesma música em todas as estações de rádio, o mesmo gosto em todos os beijos, o mesmo céu nublado. Desde que você se foi, meu coração que era de pedra se tornou vidro. Frágil, delicado. Como se num sopro, tudo fosse desintegrar. (Letters to Billie)

E você vai acariciar muitos cabelos, mas nenhum vai ser como os dela, com os fios finos e longos e sempre bagunçados. Tocará em muitos corpos, mas nenhum vai ter a pele macia e sempre fria que ela tinha. Vai olhar tantos olhos, tantos… mas nenhum olhar vai entregar toda a alma e todo o amor que ela sentia por ti. Vai sentir muitos perfumes, alguns mais doces e outros nem tanto, mas nenhum terá o cheiro dela, que é unicamente dela. Verá uma porção de garotas impecavelmente arrumadas, mas nenhuma ficará tão linda como ela ficava em cinco minutos, com uma camisa tua e um tênis velho. E certa vez, ouvirá outros risos, outras músicas cantaroladas no teu ouvido, outras piadas sem graça, outros ‘eu te amo’… mas estes mesmos não serão como os dela. E sabe por que? Porque nenhuma vai ser como ela. E então, você se perguntará algumas dezenas de vezes: ‘por que?’ (Letters to Billie)

